SÃO PEDRO E SÃO PAULO - LOCAL MAIS INÓSPITO DO BRASIL
Por Pergentino L. Andrade (Tino) PT7AA - jan/2000.

LOCALIZAÇÃO E UM POUCO DE HISTÓRIA. Localizado a 00º 55' N e 29º 21" W, logo acima da linha do equador, distando aproximadamente 620 milhas de Natal-RN, o rochedo de São Pedro e São Paulo, de origem vulcânica, é um pontinho perdido, no meio do nada, fora das rotas de navegação e totalmente desconhecido para a grande maioria de nosso povo.

Durante centenas de anos não despertou qualquer interesse de ocupação e ficou praticamente abandonado. 
O governo brasileiro certamente nunca viu motivos relevantes para investir naquele monte de pedras. 
Nada existia, ali, além de aves marinhas que nidificam e muitos caranguejos.
Apenas pedras batidas pelo sol, pelo vento e pela fúria da água do mar.
Sem praia, sem água doce e nem mesmo sombra, o rochedo sempre foi, na verdade um paredão de rochas escarpadas que estremecia ao ser batido pelas ondas e não oferecia segurança a quem pretendia desembarcar.
Os próprios pescadores, acostumados à vida dura do mar, não viam motivos para colocar os pés por lá.

Há muitas histórias antigas que falam de naufrágios ocorridos ali, com navegadores aventureiros e barcos pesqueiros de diversas nacionalidades. Até alguns anos atrás, era comum a presença de barcos de outros países, que se aproveitavam da grande piscosidade da área para encher seus porões de pescado.
Isso mesmo, qualquer barco pesqueiro estrangeiro chegava por lá, pescava o que queria, depois retornava a seu pais, sem dar qualquer satisfação aos donos da casa, nós brasileiros.

Antigamente funcionou ali um farol automático, que foi construído pela Marinha em 1932 e que após algumas poucas décadas de uso, foi destruído, corroído pela ferrugem e pela falta de manutenção adequada.
De uns anos para cá, as autoridades tiveram de atender as exigências internacionais que regem a soberania sobre ilhas desabitadas. Para garantir ao Brasil os direitos de propriedade da área e exclusividade de exploração econômica, (principalmente a pesca), nas 200 milhas ao redor do rochedo, o governo deu à Marinha brasileira condições básicas para habitar a ilha.
Em agosto de 1995 foi erguido ali um novo farol automático.

Algum tempo depois, por motivos de ordem técnica, a Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM), órgão do Ministério da Marinha responsável pelo arquipélago, resolveu alterar o nome do rochedo, que passou oficialmente a se chamar Arquipélago de São Pedro e São Paulo.
A partir de então, navios militares patrulham regularmente a região, e a manutenção ao farol passou a ser rotina.
Em 1998 a Marinha construiu uma casa de madeira, onde passou a funcionar uma estação de pesquisas e fez um pequeno atracadouro, para permitir o desembarque de pessoas e materiais por meio de barcos infláveis ou pequenas jangadas.
Além disso, instalou uma passarela de madeira ligando o atracadouro à pequena casa, onde funciona a estação científica. a qual passou a dispor de energia solar, dessalinizador de água, equipamentos para pesquisas marinhas e uma estação de radio-comunicação.

Desde então a ilha é um local realmente ocupado, pois passou a abrigar pesquisadores que são substituídos a cada 12/15 dias. Esses cientistas são assistidos regularmente pelos navios da Marinha que fazem manutenção e por pequenos barcos contratados em Natal-RN, para o transporte dessas pessoas e de tudo o que é necessário para sua permanência.
Ao lado da casa, no alto de um mastro, passou a tremular a bandeira do Brasil